A Sé do Porto

Levantada no morro da Pena Ventosa, a Sé do Porto impõe-se pela presença visual e simbólica, constituindo um elemento definidor da paisagem no decurso da história da cidade. A sua construção traduz o desenvolvimento social, económico e cultural da urbe, patente nas várias camadas de valor patrimonial que o edifício carrega, que afetaram o urbanismo, a arquitetura e as artes em geral. De origem românica, reúne estruturas artísticas dos períodos gótico, renascentista, maneirista, barroco e neoclássico. A imagem que hoje vemos decorre, no entanto, de uma reinterpretação dos restauros do século XX. A catedral é uma realidade viva em constante transformação, vulnerável aos gostos de todos os que por ela passam, motivados por razões devocionais, institucionais, profissionais, culturais e turísticas.

O conjunto arquitetónico é composto pela igreja com planta de cruz latina, distinguindo-se, a norte, a galilé barroca do século XVIII. A Casa do Cabido estende-se para sul, tendo integrado a capela gótica de São João Evangelista. O claustro gótico ergue-se ao centro e é rodeado, a poente, pela Casa do Cabido, a sul pela capela de São Vicente, escadarias de Nasoni e Capela de Nossa Senhora da Piedade e a nascente pela sacristia.

O terreiro e arranjo urbanístico que atualmente a envolve resultam de uma intervenção dos anos 30 do século XX. O denso casario, de origem medieval, marcado por ruas estreitas e sinuosas, desapareceu para desafogar o “monumento”, sujeito aos novos valores patrimoniais do século passado. A sul ergue-se o Paço Episcopal, construído na segunda metade do século XVIII, por determinação do bispo D. Frei João Rafael de Mendonça (1717-1793).

A fachada da Catedral

A fachada da catedral é delimitada por duas torres sineiras de herança medieval. As varandas, pirâmides dos ângulos e cúpulas bulbosas dos remates datam, no entanto, do século XVIII. A execução da grande rosácea, de linguagem gótica, é atribuída ao mestre Domingos Peres e datará do último quarto do século XIII. O portal medieval desapareceu com as obras realizadas entre 1729/1730. O que atualmente vemos é uma obra barroca adulterada pelos restauros da década de 1930. A varanda semicircular e o nicho com a imagem de Nossa Senhora da Assunção, orago da catedral, datam do período barroco, mas todas as outras esculturas dessa época foram retiradas no século passado.