Capela de S. Vicente

Também designada como de Nossa Senhora da Saúde e mais tarde do Senhor da Agonia, a capela de São Vicente foi mandada edificar pelo bispo D. Marcos de Lisboa (B. 1581-1591), que a escolheu como local de sepultura. D. Gonçalo de Morais (B. 1602-1617) converteu-a no panteão dos bispos do Porto, função que conserva na atualidade. 

O cadeiral, datado do século XVII, poderá ter pertencido à capela-mor, tendo sido substituído pelo que agora aí se encontra, executado entre 1726-1727. Os relevos representam episódios do Antigo e do Novo Testamento.

As duas tábuas pintadas podem ser atribuídas ao pintor maneirista Simão Rodrigues (c. 1560-1629) e terão pertencido ao anterior retábulo da capela-mor, datado dos inícios do século XVII.

Um dos painéis representa o tema do Calvário, imagem do Cristo na Cruz ladeado pela Mãe Dolorosa e por São João Evangelista, o “discípulo amado”. O outro a Ressurreição do Cristo, o mártir inocente que triunfa sobre a morte e traz uma nova luz ao Mundo.

O atril ou estante de coro, em bronze e de origem italiana, foi oferecido à catedral pelo Bispo D. Gonçalo de Morais (B. 1602-1617), como o comprovava o seu escudo de armas colocado numa das faces, entretanto desaparecido.

O retábulo, em talha dourada, data da década de vinte do século XVIII. A decoração é composta por parras e cachos de uvas (de simbologia eucarística), pequenas aves e “meninos” alusivos ao Paraíso, Ressurreição e Salvação. Esta simbologia está de acordo com a imagem de Cristo Crucificado exibida no interior da tribuna.

O órgão, atribuído ao Padre Lourenço da Conceição, foi construído na década de vinte do século XVIII. Estaria, inicialmente, ao nível do pavimento, tendo sido elevado depois da execução do coreto, assente sobre arco e moldura em pedra granítica. Todo o arranjo artístico, em talha dourada, data de cerca de 1730.

A pintura que o sobrepõe deve datar da mesma cronologia, sendo desconhecido o seu autor. Representa o Juízo Final, um tema inspirado no livro do Apocalipse e que recorda, aos cristãos, o destino das almas no dia da Segunda Vinda do Cristo. O tema adapta-se, assim, à função funerária da capela.