Corpo da igreja

A imagem que hoje vemos do corpo da igreja, um espaço austero e despido de qualquer elemento, resulta de uma construção dos restauros do século XX. As três naves separadas por espessos pilares recuam, de facto, ao período medieval, mas tudo o resto desapareceu: o reboco dos muros, os altares que envolviam primeiro os pilares e depois as paredes laterais das naves, as capelas, sepulturas e monumentos funerários, púlpitos e diferentes arranjos do coro alto. 

Da grande obra barroca (1717-1741), subsistem as quatro pias de água benta (c. 1720), compostas por conchas executadas em encarnadão suportadas por atlantes esculpidos em pedra negra.

A capela batismal reúne duas épocas de intervenção artística: uma barroca (grades de ferro, pavimento, revestimento pétreo do 1º terço dos muros, pia) e outra oitocentista (relevo em bronze e estuques decorativos de parte das paredes e cobertura). A escultura brônzea é da autoria de Teixeira Lopes, Pai (1837-1918), reputado escultor e ceramista português, e representa o “Batismo do Cristo”, um tema alusivo à função do espaço. 

O Grande Órgão do coro foi construído entre 1983 e 1985 pela firma alemã Georg Jann Orgelbau Meisterbetrieb. Depois do sucesso conquistado com a execução desta obra (inaugurada a 19 de outubro de 1985), o reconhecido organeiro Georg Jann fixou-se em Portugal e montou uma oficina de construção de órgãos nos arredores da cidade do Porto. Em 2006 mudou-se para o Brasil, onde veio a falecer a 12 de fevereiro de 2019.