
A construção da sacristia data do primeiro quarto do século XIV, tendo sido bastante transformada nos primórdios do século XVII, por vontade do bispo D. Gonçalo de Morais (B. 1602-1617). No início do século XVIII (1700-1701) foi ampliada pelos mestres pedreiros António da Costa e António da Costa, “o novo”, filho do primeiro e de novo intervencionada em 1859, como se pode ler na parede do topo norte: SEDE VACANTE AN 1859.
Em 1731, o espaço foi bastante afetado por um incêndio, sinistro que obrigou à sua total remodelação em 1734. As pinturas decorativas da abóbada, de caráter ilusionista, são da autoria de Nicolau Nasoni, que desenhou, também, o retábulo de pau-preto. Este foi executado por Miguel Francisco da Silva e dourado por Manuel Pinto Monteiro. A pintura a óleo sobre tela representa o tema do “Descanso na Fuga para o Egipto”, com Nossa Senhora pronta para amamentar o Menino. São João Batista segura o pé direito do primo, que se volta para a Cruz, símbolo do sacrifício que lhe está destinado.

Os espaldares representam pinturas dos Doze Apóstolos: São Pedro, Santo André, São Tiago Maior, São Tomé, São João, São Mateus, São Tiago Menor, São Filipe, São Judas Tadeu, São Bartolomeu, São Simão e São Matias, o apóstolo “póstumo” que ocupou o lugar de Judas Iscariotes, o traidor. Fazem também parte do conjunto, as figuras de São Paulo, o Apóstolo dos Gentios e a de Santo Estevão, o primeiro mártir dos seguidores de Jesus.

As oito tábuas e as duas telas (pintadas, em 1734, pelo italiano Carlos Antonio Leoni), integradas em molduras de talha dourada, representam episódios da Vida e Infância de Jesus: Casamento da Virgem, Anunciação, Visitação, Adoração dos Magos, Circuncisão, Adoração dos Pastores, Apresentação do Menino no Templo, Regresso da Fuga para o Egito, Menino Jesus no Templo entre os Doutores e As Bodas de Caná.
